Presidente da Caern descarta privatização e defende parcerias com setor privado

O presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), Roberto Linhares, afirmou que a empresa deve continuar sob controle estatal, mas com participação do setor privado para viabilizar investimentos. Em entrevista nesta quinta-feira 3, ele descartou a privatização da companhia e explicou que os recursos obtidos com uma possível venda não seriam suficientes para cobrir as despesas do Estado.
“Se você fecha a torneira, a pessoa paga o que cobrarem por 10 mil litros d’água. Um caminhão-pipa no interior pode custar R$ 300, enquanto a companhia cobra R$ 53 pelo mesmo volume tratado”, disse Linhares. Ele argumentou que uma eventual privatização levaria à exclusão de municípios menores, como Venha Ver, Serra do Mel, São Tomé e Lagoa Salgada, que dependem da estatal.
Linhares comparou o setor de água e saneamento com o de energia, que passou por privatização nos anos 1990. Segundo ele, as diferenças entre os segmentos dificultam a adoção do mesmo modelo. “A conta de água da minha casa é cerca de R$ 100, enquanto a de luz, sem geração distribuída, seria de R$ 1.200 a R$ 1.300”, exemplificou.
Sobre investimentos, Linhares destacou a necessidade de R$ 6,57 bilhões para universalizar os serviços de água e esgoto até 2033, conforme determina o novo Marco Legal do Saneamento. Como a Caern não dispõe desse montante, ele defende parcerias público-privadas (PPPs). “O estudo técnico e jurídico já foi feito. A avaliação econômico-financeira está no cronograma como agosto de 2025”, disse.
Segundo o presidente da Caern, grandes empresas nacionais, como BRK, Aegea e Iguá, além de companhias locais, já demonstraram interesse em participar do projeto. “Esse investimento, que em 2022 era de R$ 3,2 bilhões e hoje passa dos R$ 4 bilhões, vai gerar emprego, melhorar a infraestrutura e impactar na qualidade de vida e na saúde das pessoas”, concluiu.
*Via Jair Sampaio